Por conta de um problema de saúde, estou numa mudança de função. Professora há dezenove anos, já contribui para formação de mais de uma geração. No inicio fiquei triste com a idéia de ser a professora doentinha da biblioteca, a semi-invalidez acabava a minha estima de educadora comprometida, apaixonada, polêmica e subversiva. Mas que agradável felicidade tem sido trabalhar na biblioteca. Sinto-me numa caverna de tesouros, que tenho a senha de entrada. Não deixei de conviver com os saudáveis e cheios de energia adolescentes e crianças do sexto ano que brincam de esconde-esconde atrás dos mapas. Ralho, mas não ralho com muita severidade. Qualquer hora descobrirão os livros.
Eles lêem de tudo. Surpreendo-me, de Machado de Assis, e seu disputado Dom Casmurro ao piauiense O. G. Rego, Somos todos inocentes. Não li ainda estas obras.
A moça do primeiro ano devolveu Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva. Gostou, mas acho-o um tanto obsceno. Discutimos sua situação de deficiente físico e sua sexualidade na juventude. Aceitou levar O que isso, companheiro?, do Fernando Gabeira para complementar o endtendimento de uma fase do pais que foi a ditadura, que esta viu no livro de Rubens Paiva e escolheu por si, Aristóteles. Ficou discutindo com os amigos o que seria O SER. Dei-lhe um Marilena Chaui, bem para iniciante e marquei a página: ontologia. Fiquei cá sonhando que a danada um dia se torne uma existencialista sartreana.


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